Texto
Lembrará de mim pelo eterno!
Alguns são capazes se perguntar por vezes o quão será sua longevidade. A vida ─ uma dádiva divina ─ concedida aos homens em busca da continuidade, ao meu ver. De acordo com alguns pensadores, baseados em suas mentes evoluídas, este presente não passa de uma propriedade que caracteriza os organismos cuja existência evolui do nascimento até a morte. Somos então uma demonstração de que nada eterno? Nossa existência tem fim. A carne é consumida, o carbono é degradado e ao fim da noite, não há mais seu ser. É atormentador imaginar o quão insignificante parece ser. A história irá te esquecer. Nós perdemos entes amados a cada segundo que se passa. E não importa o quanto os amamos, ao longo daquilo que define como "vida", os esquecerá. "A história irá te esquecer", ouso repetir em alto e bom som.

[RP FECHADA] Crystal Ball ( 30.05.2016 )

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[RP FECHADA] Crystal Ball ( 30.05.2016 )

Mensagem por Aphra Dworzak Innokentiev em Seg Maio 30, 2016 1:57 pm


crystal ball

Esta RP é feita por Aphra e Erkin, em New Orleans. Se passa no período atemporal, no dia 15 de Junho, às duas da tarde. A RP é fechada para os participantes, o clima está agradável, e o conteúdo é livre.
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Re: [RP FECHADA] Crystal Ball ( 30.05.2016 )

Mensagem por Erkin Savas em Seg Maio 30, 2016 3:36 pm

☾ Long Nights ☽
Have no fear for when i'm alone i'll be better off than i was before. I've got this light. I'll be around to grow. Who i was before i cannot recall.



Havia chuva em seus pesadelos. E foi apenas por isso que acordou suado. Apenas por isso.

Erkin levantou-se devagar da cama branca. Seus dedos suavemente escorregaram pela coberta pendendo para o chão, que provavelmente expulsou durante a noite de cima do seu corpo aos chutes. Continuou movendo as mãos pelos lençóis até que elas repousassem em cima dos seus joelhos. Sentiu o toque em apenas um deles. Só então abriu os olhos. Só então permitiu-se a realidade. Levantou-se devagar, apoiando se inteiramente em uma perna, e pegou sua bengala que repousava ao lado da cama. Sentiu a madeira fria fazer cócegas em seus dedos dormentes de cansaço e mastigou suavemente a própria língua, bocejando logo depois. Puxou em um solavanco as cortinas e cobriu os olhos quando o seu quarto acendeu dourado com a luz matinal. A luz do sol dançou pelo ambiente, destacando as partículas de poeira que se espantaram com a brisa repentina, e suavemente deitou sob o chão coberto por roupas por lavar e finalmente aqueceu o vidro gelado de uma garrafa de vinho tinto meio vazia caída ao lado de um bong transparente. E então as partículas de poeira se afastaram para dar espaço para o sonolento turco que arrastava-se pelo seu quarto em direção ao banheiro, apoiado em sua bengala negra.

Não passava-se das sete da manhã quando Erkin já estava descendo o último degrau de sua calçada, tirando do bolso do paletó surrado um cachimbo de madeira polida, discreto e meio arqueado antes de se erguer pro alto no começo do fornilho, à moda zulu. Olhou em volta enquanto colocava o tabaco na fornilha, pressionando-o suavemente para o fundo com as costas do seu isqueiro. Um cachorro passou na calçada da frente, cambaleando com uma pata ferida e Erkin não pode evitar acompanhá-lo com o olhar. Só quando o cachorro sumiu, ele acendeu a chama do isqueiro e suavemente queimou o fumo, dando leves tragadas antes de soprá-las em fumaça branca para o ar suave de uma manhã de verão. Franziu o cenho para o céu apenas pelo costume antigo de fazê-lo, e seguiu caminhando com sua bengala pela calçada, sem rumo ou direção. Viu árvores que nunca havia visto antes na Turquia, e foi mais longe do que fora nas semanas anteriores que saíra pra caminhar. Lentamente explorava esse novo mundo que se abria diante de si, mas o fazia de forma letárgica e desatenta, como se o observasse através das lentes de uma câmera... De uma câmera. Sentiu uma leve tontura e parou por um instante, enquanto algumas crianças corriam em direção à uma escola no fim da rua. Checou seu cachimbo, mordiscando a língua, e resolveu que talvez já fosse hora de comer alguma coisa. Parou no primeiro café que encontrou virando a esquina e se sentou em uma das mesas, pedindo um türk çayi. Afinal, alguns velhos hábitos nunca se vão. Agradeceu com um aceno de cabeça para a atendente e tomou o primeiro gole do chá, repousando o cachimbo na mesa enquanto observava a rua, agora muito mais movimentada do que antes, já com o sol em pico nas duas da tarde.



Long nights allow me to feel... I'm falling... I'm falling. The lights go out. Let me feel. I'm falling I'm falling safely to the ground. I'll take this soul that's inside me now like a brand new friend i'll forever know. I've got this light and the will to show i will always be better than before.




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Re: [RP FECHADA] Crystal Ball ( 30.05.2016 )

Mensagem por Aphra Dworzak Innokentiev em Seg Maio 30, 2016 4:09 pm



☾★Gaze into the crystal See what it tells It can bring you all fortune Visions and dreams You can see in the crystal ball★☽









Antes mesmo de acordar – e perceber que estava acordada – Aphra sentiu os raios de sol tocarem seu rosto. Estava um tanto febril e com dores de cabeça que a faziam pensar duas vezes antes de levantar. Ficou deitada na mesma posição durante algum tempo que não conseguiu contar, abriu os olhos e pôde ver de longe Solnishko, um gato preto e felpudo de grandes olhos verdes que encontrou há um ano atrás ainda filhote, jogado na sarjeta. Ele era seu melhor amigo, e seu nome significava “Sol”, ou “Luz do Sol”. O que, para qualquer pessoa, nada mais é do que um nome Ucraniano estranho, para ela tinha um significado imenso. Solnishko caminhou até ela e roçou o rabo por suas pernas extremamente pálidas, com veias azuis se destacando. Ele pulou em seu colo e começou a lhe fazer carícias com o rosto. Era engraçado, ele era o gato mais carinhoso que ela já tinha visto em toda sua vida. Em determinado momento sentiu ele apoiar-se mais em sua perna esquerda, e uma ardência lancinante subiu por seu corpo. O fez descer bruscamente e percebeu que a ferida ainda não estava totalmente cicatrizada.
– Der’mo! – Xingou baixo, colocando o pano úmido de ervas em sua perna. Alguns pedaços de folhas ainda estavam misturadas no líquido agora frio, e entraram na ferida semi cicatrizada sem cerimônia. Bufou de dor, enquanto apertava com força o pano fino que cobria sua cama. Levantou após a dor diminuir e caminhou até a cozinha, procurando água. Estava com sede após uma noite com febre. Não encontrou água ou qualquer outro alimento, apenas restos, e a comida que dava a Solnishko. O felino não parecia com fome, mas a seguiu mesmo assim, como se percebesse que algo estava errado. Ela acariciou a cabeça do animal e respirou fundo. Precisava de dinheiro.
Tomou um banho rápido e frio, se surpreendendo com o fato da encanação ainda estar funcionando, colocou a saia longa e preta que sempre usava, uma regata também preta e o sobretudo de tecido fino que usava no verão. Se a vissem na rua em outros dias, reconheceriam de primeira que ela não tinha muitas opções de roupa. O tecido da saia batia na ferida quando ela andava, fazendo doer, mas Aphra respirava fundo. Penteou os cabelos finos, passou alguns minutos olhando-se no espelho com vergonha de sair com aquelas olheiras e os lábios sem cor pela doença, colocou alguns anéis, um colar de pedras que ela mesma havia feito, calçou sandálias baixas e saiu, deixando Solnishko dentro da casa.
Não entenda mal, Aphra adorava caminhar, mas naquele dia especificamente ela odiava o fato de não ter outro meio de locomoção. Sua perna doía muito, a cada passo que dava era como se houvessem agulhas perfurando sua carne. E as ervas que fazia com o herbalismo não estavam ajudando a curar. Pegou carona com um homem que estava indo para o centro de Nova Orleans com o filho, e agradeceu ao chegar em seu ponto de descida. Ela desceu próximo à uma rede de restaurantes, procurando um cliente em potencial. Alguém que estivesse perdido e sem esperanças, ou simplesmente um adolescente curioso que acreditasse naquelas baboseiras. Às vezes se sentia mal por enganar as pessoas, mas não tinha escolha. Era cobrar 10 dólares por uma lida de mãos e contar algumas mentiras metafóricas, ou passar fome e morrer. Ninguém sabia da existência dela naquele lugar, ela morreria e seria encontrada dez anos depois, já irreconhecível. E Solnishko? O que seria dele? Parou de se perguntar estas coisas quando avistou um homem sentado em uma mesa à frente de uma cafeteria popular da cidade. Ele estava distraído lendo um jornal, ou uma revista, ou o que quer que fosse, e estava alheio ao mundo ao seu redor. Talvez ele fosse aceitar que ela prevesse seu futuro. Animada pela ideia, caminhou em passos largos e rápidos até o outro lado da rua, mas quando subiu na calçada, seu pé pisou com força demais (justamente o da perna ruim) e ela teve que conter um grito de dor. Sentiu seu rosto ficar vermelho, segurou forte a própria roupa e respirou tão fundo que sentiu uma tontura. Após se recuperar sentou-se à frente do homem e, enquanto falava, puxou sua mão.
– Boa tarde. – Falou, com a voz ainda falha, e num inglês com sotaque. – Posso ler sua mão?





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Re: [RP FECHADA] Crystal Ball ( 30.05.2016 )

Mensagem por Erkin Savas em Seg Maio 30, 2016 4:51 pm

☾ Long Nights ☽
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Erkin bebericava distraidamente seu chá, e entre um gole e outro tragava seu cachimbo. Uma mosca pousou suavemente no prato com algumas migalhas de pão diante de si, e ele a acompanhou com o olhar durante um longo trago, antes de soprar suavemente a fumaça branca para o lado. A mosca caminhava despreocupadamente com suas finas patas de inseto, buscando alguma migalha pequena o suficiente para alimentá-la. Então a voz de um garoto que andava pela calçada com sua companheira chamou sua atenção:
- Você não tinha o direito de dar o resto de nossa comida pra um... Pedinte. - O garoto sibilou em direção a garota, antes de notar o olhar de Erkin e virar o rosto enquanto apertava o passo. A garota olhou para Erkin, acenando com a cabeça e correndo atrás do companheiro que já cruzava a rua.
Erkin voltou a observar seu prato, a mosca já havia ido embora e uma migalha estava em falta. Pensou consigo mesmo se a América era mesmo bela por conta das palavras que ouviu, ou por conta de quem as proferiu. Deu mais um trago no cachimbo e olhou em volta, procurando algo para se entreter. Foi quando viu um jornal numa mesa vazia ao seu lado, abandonado pelo dono já saciado da torrente de informações diárias que provavelmente o bombardeava o tempo inteiro. O turco resolveu dar uma chance e se esticou para pegar o jornal, conseguindo alcançá-lo com a ponta dos dedos. Passou os próximos vinte minutos tentando entender a ordem em que aquelas histórias estavam dispostas e algumas palavras não muito naturais para ele, ou o que havia de tão interessante na vida do Johnny Depp. Decidiu que o melhor seria voltar para casa. Abaixou o jornal e viu uma garota parada diante de si. De imediato, deixou o cachimbo pender levemente de seus lábios. O olhar cansado da garota, marcado por olheiras e os traços exóticos prendeu a curiosidade de Erkin, que já estava começando a se habituar com a mesmice dos rostos ocupados com outros assuntos que nunca eram ele. Demorou para entender que o assunto dela realmente era ele.
- Ler... minha mão? - Piscou os olhos por um segundo, olhando para a própria mão repousando na mesa, e então voltou o olhar para a garota. Observou as roupas dela e seu semblante por um instante, e lembrou-se das histórias sobre quiromancia. - Oh, entendo, como leitura de café? - Perguntou, mais para si mesmo do que para ela, mas então percebeu que já havia falado em voz alta.



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Re: [RP FECHADA] Crystal Ball ( 30.05.2016 )

Mensagem por Aphra Dworzak Innokentiev em Seg Maio 30, 2016 5:17 pm



☾★Gaze into the crystal See what it tells It can bring you all fortune Visions and dreams You can see in the crystal ball★☽









Ela teve medo que ele fosse bruto como os outros homens que pedia para fazer leitura. Ou eles procuravam volume em seus seios ou sua bunda, e ao perceber que ela não os possuía a mandavam embora a xingando de vadia e desocupada, vagabunda ou mendiga, ou faziam piadas relacionadas ao que ela os oferecia. Até mesmo diziam coisas obscenas ou a olhavam com desprezo. Por alguns segundos antes de ouvir a resposta, ela se preparou para levantar, mas foi surpreendida ao ver que ele tinha aceitado. Não havia se preparado para aquilo, desde que havia chegado à América ninguém havia sido gentil com ela. Se sentia um fardo andando pelas ruas de Nova Orleans esperando a morte. Embora estivesse ardendo em febre sua pele estava fria, suas mãos com as pontas dos dedos rosados pareciam dois blocos de gelo. Ela não entendeu ao ouvir a pergunta do homem e fez uma careta confusa.
– Niet, não. – Riu baixo, tentando esconder a dor que subia por sua perna e já estava começando a atrapalhar. – Não do café, da sua mão. – Ele pareceu dizer que sim, e ela tomou aquilo como uma resposta positiva. Puxou a mão do homem para perto e a colocou em cima da sua, com as costas da mão para baixo. Ao abrir a palma, viu algumas marcas que reconhecia das mãos do pai. Marcas de guerra, deduziu. Não disse nada, apenas depositou a mão gelada sobre a do homem e fechou os olhos. Durante alguns segundos não soube o que dizer. O que ela dizia? "Você vai ganhar um carro", "vai ganhar na loteria", "vai ser feliz"? Ela não sabia, não via nada. Obviamente ele esperava alguma resposta, e ela não sabia que resposta dar. Estava ficando enferrujada. Naquele momento alguém que estava dentro do restaurante foi até o lado da mesa em que o homem estava e tocou o ombro de Aphra.
– Desculpe, senhor, mas ela está proibida de vir ao nosso estabelecimento. – Ele puxou a cadeira em que Aphra estava e a fez levantar com um olhar cheio de ódio. Da última vez que havia ido àquela cafeteria ela havia comido muita coisa, e não havia pagado nenhuma delas. Teve que se desdobrar para conseguir pagar o prejuízo algum tempo depois. Havia sido nos primeiros dias que chegou à cidade. Havia feito a mesma coisa em outros lugares nessa mesma semana, mas quitou as dívidas em poucos. Não sabia que nas Américas as coisas eram tão caras, ou que as pessoas podiam ser tão ruins. Na segunda vez que foi à cafeteria fez uma leitura e a cliente percebeu que estava sendo enganada, então a chamou de charlatã e a expulsaram soltando injúrias. Na terceira vez Aphra já estava proibida de entrar, mas naquele dia ela não havia notado que estava neste mesmo lugar. Talvez pessoas como ela não fossem bem aceitas. Ela sentiu o peso do corpo na perna ruim e segurou a respiração. Seu rosto empalideceu.
– Pity vzyaty vashu ebat! – Ela mostrou o dedo do meio, colocou a cadeira no lugar que havia encontrado e saiu, rápido, visivelmente mancando. Sentia um ódio descomunal subir por seu corpo, queria voltar lá e explodir aquele lugar. Estrangular aquele homem com suas próprias mãos. Estava tão enfurecida que não sentia a dor que subia por sua perna, não sentia nada além de raiva.






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Re: [RP FECHADA] Crystal Ball ( 30.05.2016 )

Mensagem por Erkin Savas em Seg Maio 30, 2016 5:49 pm

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Antes que pudesse reagir, a garota já tinha ido embora e o homem em pé ao lado da sua mesa se desculpava pelo incômodo. Erkin olhava para a garota se distanciando com os olhos espantados, e então percebeu que não queria que ela fosse. Virou o olhar para o homem ao seu lado, que parou de falar imediatamente. O garçom pode ter lido centenas de artigos ou acompanhado rolos e rolos de fotografias sobre as consequências que a guerra trazem ao semblante o humano, mas nada nunca o prepararia para encarar, frente a frente, uma guerra em um olhar. A questão é que a guerra não acaba quando o último soldado cai, nem quando as mãos sujas dos políticos fecham um tratado de paz. A guerra continua viva, queimando, explodindo com canhões e granadas no olhar daqueles que voltam para casa. Ou ao menos aceitam a ilusão de que estão em casa. A melancolia é apenas um tênue véu que protege do mundo o terror que ele mesmo criou, e aquele pobre garçom, em sua vida normal no alto do seu ego, jamais estaria preparado para ter aquele véu puxado diante de si.
Erkin se levantou da mesa em sobressalto, sem notar que havia ficado em pé e de postura ereta sem sua bengala. Seu olhar enfrentou o do garçom de maneira firme, e a velocidade com que havia se levantado assustou o homem, que cambaleou para trás.
- Se eu socar-lhe o rosto, eu também não vou ser bem-vindo aqui? - Falou pausadamente, sem tirar os olhos do homem. O garçom desviou o olhar para dois outros homens que se levantaram nas mesas próximas. Erkin acompanhou o olhar, abaixando levemente a cabeça, e então, por entre os fios de sua franja bagunçada, levantou o olhar novamente para o garçom. - Oh, você acha? Está apostando que eles chegariam aqui mais rápido do que eu alcanço você?- Colocou a mão no ombro do garçom, despertando um suspiro rápido das pessoas em volta e um espasmo espontâneo do homem. Só agora Erkin notou como era bem mais alto do que o garoto diante de si. Apenas um garoto. Sentiu sua mão exercer um peso um pouco maior contra o garçom e percebeu que estava caindo. Tentou se segurar na mesa mas seus dedos envolveram em vão o pano que a cobria e ele caiu sentado, puxando junto a taça meio vazia com o chá, que espatifou-se no chão. Bateu a cabeça com força na mesa atrás, derrubando um copo d'água nela. O garçom o encarou assustado, e depois olhou em volta, levantando as mãos em rendimento.
- E-Eu não fiz nada!- As pessoas pareciam não saber se tratava-se de uma piada ou não. Se riam ou ajudavam o homem que se levantava com o apoio de sua bengala, curvo. Erkin delicadamente pegou o seu cachimbo no chão, limpou-o e guardou no bolso, colocando o dinheiro em cima da mesa e seguiu seu caminho, sussurrando enquanto passava ao lado do garçom:
- Desculpe. - Cruzou a rua o mais rápido que conseguiu, acompanhado pelo leve som da madeira da bengala chocando-se contra o asfalto quente. Procurava avidamente pela garota dos olhos cansados, virando a cabeça de um lado para o outro. Depois de cruzar algumas esquinas, finalmente a avistou apoiada em uma parede de uma casa, em um local menos movimentado da rua. Aproximou-se devagar, sem olhar para ela. Notou quando ela o viu, mas não retribuiu o olhar, apenas se apoiou na parede ao seu lado, um pouco mais distante. Só então olhou para ela.
- Ainda pode ler minha mão?



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Re: [RP FECHADA] Crystal Ball ( 30.05.2016 )

Mensagem por Aphra Dworzak Innokentiev em Seg Maio 30, 2016 6:19 pm



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Aphra notava as pessoas a olhando com nojo e desprezo, enquanto ela mancava em direção a lugar nenhum. Os cabelos estavam completamente bagunçados e as roupas igualmente. Ela parecia uma moradora de rua que não tinha onde cair morta. Ela realmente tinha? Se perguntava isso ao ver as pessoas a fitando com aquele olhar nem um pouco sutil. Algumas mães afastavam os filhos, outras se afastavam. Ela estava tonta, e aquilo parecia um sonho ruim. O sol quente esquentando sua cabeça protegida por fios de cabelo finos e longos, a perna latejando de dor, a febre, o frio, a dor no peito. Se sentia perdida em um país que não conhecia. O inglês não era fluente e sequer tinha passaporte. Se a pegassem ali ela seria extraditada e teria que voltar para Ucrânia. Ela preferia morrer do que voltar para aquele lugar. Foi quando, então, sentiu as pernas perderem as forças e se segurou em uma parede. "Eu vou morrer", pensou consigo mesma. As ervas realmente não estavam ajudando. Tirou uma pedra Ametista do bolso e segurou forte até as pontas dos dedos perderem a cor. Sentiu lágrimas quentes descerem por seu rosto e respirou fundo. O estômago roncou de fome, lembrou que não havia comido nada. Iria continuar andando quando foi surpreendida. Se assustou e quase caiu pra trás quando viu o homem da cafeteria à sua frente.
– Eu... – Ia começar a se desculpar, achando que ele iria cobrar alguma coisa por ela ter mentido, ou que viria a acusar de alguma coisa. Achou estranho o fato de ele não estar com raiva, ou repulsa de seu atual estado. Então o ouviu pedir para ela ler sua mão. Neste momento teve uma crise de riso. Chegou até a lhe faltar ar e sua perna latejar forte. – Senhor, eu não sou vidente. – Incrédula, ela segurou a perna, já não suportando a dor que a risada causou. – Não vejo o futuro. Evidentemente consigo fazer algumas coisas, mas não isso. – Abaixou a cabeça, sentindo a culpa pesar em suas costas. – Eu tive que mentir para não passar fome. – Sentiu o estômago doer. – Mas parece que não está adiantando muita coisa.







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Re: [RP FECHADA] Crystal Ball ( 30.05.2016 )

Mensagem por Erkin Savas em Seg Maio 30, 2016 6:45 pm

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Observou a garota com curiosidade, notando sua expressão de dor quando colocou a mão na perna. Desviou o olhar rapidamente, observando um carro um tanto quanto luxuoso passar na rua.
- Nem todos levam jeito para mentir. - Apontou com o queixo para o carro que sumia no fim da rua. - Mas aposto que aquele é tão bom que mente até para si mesmo. -Erkin deu de ombros, olhando para a garota. - Enfim, não estou assim tão interessado no futuro. Você está? - E então apoiou-se em um degrau alto, repousando a bengala em seu colo. Tamborilou brevemente os dedos pela madeira escura da bengala, antes de parar a si mesmo abruptamente. Parecia confuso com como prosseguir, fazia tempo que não conversava algo além de puras cortesias com alguém, ainda mais em inglês, mas sentia-se tentado a continuar. A confusão dela complementava a sua, prendendo sua atenção. Queria ajudar, mas parecia pretensioso convidá-la para comer algo sem se apresentar.
- Meu nome é Erkin. - Falou antes que percebesse. - Eu não sou daqui. Cheguei há... - Quanto tempo fazia? Os dias pareciam tão iguais que era difícil manter a conta do tempo. Olhou por um segundo para os próprios dedos antes de voltar o olhar para a garota. - Ainda não comi o cachorro-quente dos filmes americanos. Você sabe onde achar?



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Re: [RP FECHADA] Crystal Ball ( 30.05.2016 )

Mensagem por Aphra Dworzak Innokentiev em Seg Maio 30, 2016 6:55 pm



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Ela o ouvia atentamente enquanto olhava para o vazio. Sentiu o coração apertar e o rosto esquentar, mas continuou desviando o olhar. O ouviu se apresentar, dizer que não era dali e seu nome. Um gemido de dor escapou dos lábios finos e ela sentou ao seu lado, deixando o corpo cansado cair.
– Eu adoraria lhe mostrar, mas não consigo andar mais. – O tecido da saia havia grudado na ferida de sua perna. Ela levantou a saia até o início da coxa, um pouco acima do joelho, onde um profundo e inflamado corte jazia à céu aberto. Se xingou mentalmente por ter deixado chegar naquele ponto. Puxou com força o tecido grudado e cravou as unhas no chão após sentir a dor do ato. Quase gritou, mas segurou, soltando um suspiro muito profundo depois. Após a tempestade passar, ela começou a analisar o ferimento com os dedos. – Sofri um acidente há alguns dias atrás. – Murmurou baixo, enquanto limpava os pedaços de folha do corte. – Eu estou fazendo algumas ervas para tentar curar, mas nenhuma delas parece fazer efeito. Não tenho dinheiro para comprar remédios, honestamente acho que não me importo em morrer. Só não queria que fosse assim. – Enquanto limpava a ferida e tirava um frasco pequeno de vidro um pouco de álcool sorriu para ele, cansada.







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Re: [RP FECHADA] Crystal Ball ( 30.05.2016 )

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